Paula Menis Vigna | 24 de Setembro de 2026
A Psicologia Intercultural passou a fazer parte da minha trajetória a partir de questões que surgiram na minha prática clínica. Atender pessoas que vivem fora de seu país de origem despertou em mim o interesse de compreender, de forma mais aprofundada, tudo o que pode estar envolvido nessa experiência, que é migrar.
Afinal, migrar é muito mais do que simplesmente mudar de país.
É deixar referências conhecidas, reorganizar vínculos, se adaptar a uma nova cultura e construir, aos poucos, outras formas de existir, em um novo país. É uma experiência que pode mobilizar aspectos emocionais, sociais, culturais e também existenciais.
Atender brasileiros que vivem em outros países me levou a aprofundar os estudos na Psicologia Intercultural e, mais recentemente, também me trouxe a oportunidade de participar do livro Psicologia Intercultural na Prática Clínica para Brasileiros no Exterior – Volume 2 .

A obra reúne diferentes olhares sobre a experiência de brasileiros que vivem fora do país e sobre os desafios que atravessam a prática psicológica em diversos contextos interculturais.
Meu capítulo faz parte da seção Migração, Identidade e Pertencimento, com o título “Espiritualidade e Religiosidade na Migração: Caminhos de Pertencimento e Identidade”.

Para escrever esse capítulo, realizei uma pesquisa com brasileiros que vivem ou viveram no exterior, buscando compreender de que maneira a espiritualidade e a religiosidade podem estar presentes na experiência migratória e participar da construção de sentidos, vínculos e pertencimento. A pesquisa contou com 65 participantes.
Os relatos mostraram experiências muito diferentes entre os participantes. Para algumas pessoas, a fé, a espiritualidade ou a participação em uma comunidade religiosa apareceram como fontes de apoio, confiança e conexão em um novo país. Para outras, a migração também trouxe mudanças, conflitos ou afastamentos em relação às próprias referências religiosas.
Mas, mais do que pensar a espiritualidade ou a religiosidade como algo positivo ou negativo, meu interesse esteve em compreender o lugar que elas podem ocupar na história e experiência migratória de cada pessoa .
Participar deste livro representa, para mim, mais um passo na trajetória que venho construindo dentro da Psicologia Intercultural e na compreensão das experiências emocionais relacionadas à migração.
Porque, quando alguém migra, leva em sua bagagem também sua história, seus vínculos, suas referências, suas crenças e diferentes formas de compreender o mundo. E, em um novo lugar, parte dessa história também vai sendo reconstruída.
Para quem quiser conhecer a obra completa e os demais temas envolvidos no livro, deixo abaixo o link para aquisição:
Volume 1: https://psiterapianoexterior.com/livro/
Volume 2: Em breve!


